A Renault é provavelmente a marca francesa com maior relevância a nível mundial e celebra em 2019 120 anos de vida. Conheça a história da Renault e alguns dos seus modelos mais emblemáticos.
A história da Renault começou a 25 de Fevereiro de 1899 pela mão de Louis Renault, um industrial francês e um dos responsáveis pela introdução do taylorismo como forma de organização do trabalho em França.
Quando Louis Renault tinha apenas 21 anos, e mesmo antes de ter fundado oficialmente a Renault, já construía automóveis, tendo vendido o primeiro carro ainda em 1898. A viatura em questão era um Renault Voiturette 1CV, que vendeu a um amigo do seu pai.
Rapidamente, Louis percebeu que construir carros seria o seu destino e percebeu que entrando nas competições automóveis poderia ganhar estatuto e criar um nome de sucesso no mercado automóvel, que na época estava ainda muito pouco desenvolvido.
Vamos então conhecer ao pormenor a história da marca francesa de maior sucesso.
História da Renault

Fonte: Renault/Media
O início
A Renault, enquanto marca, foi então fundada, e nos primeiros tempos dedicou-se exclusivamente à competição automóvel, criando o Renault AK 90CV, um dos carros mais rápidos do início do século XX, e que foi o primeiro vencedor de uma corrida do Grand Prix (campeonato mundial que antecedeu a Fórmula 1), em 1906.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), França foi um dos países mais fustigados pelo combate, obrigando assim a Renault a deixar de lado a produção automóvel e a focar-se mais no fabrico de munições, aviões militares ou até mesmo veículos de combate, como o caso do famoso Renault FT-17, que foi utilizado por 22 países.
Finda a guerra, e finda a necessidade de produção de armamento militar, a Renault começou a fabricar automóveis dedicados ao serviço de táxi, permitindo nesta época um crescimento exponencial da marca, tornando-se na maior construtora automóvel em França, na época.
No período entre guerras, entre os anos 20 e 30, a Renault voltou a ampliar o seu leque de produção, voltando-se para a produção de máquinas agrícolas e industriais. Esta ampliação foi fulcral para a afirmação e crescimento da Renault, tendo produzido um total de 45 809 automóveis em 1920, distribuidos entre 7 modelos: 6cv, 10cv, Monasix, 15cv, Vivasix, 18/22cv e 40cv.
Nesta altura, a Renault começou a exportar em massa para os Estados Unidos e para o Reino Unido, os maiores mercados automóveis da época, e entrou na segunda guerra mundial como uma das maiores construtoras de carros europeia.
A afirmação
Após a segunda Grande Guerra, e depois da fábrica da Renault ter sido destruída pelas forças armadas britânicas (fruto da ligação da Renault com as tropas alemãs nazistas), a Renault foi nacionalizada e “fundada” novamente, ficando sob alçada do estado francês. Nesta nova era, a marca focou todas as suas atenções nos automóveis de estrada, lançando o Renault 4CV, que tinha como principal objectivo competir com o Volkswagen Carocha.
O 4CV, tal como mandava a tradição da Renault, foi também usado em competições automóveis, tendo vencido a mítica prova das 24h de Le Mans por duas ocasiões.
No período pós-guerra, a Renault crescia a um ritmo exponencial, e traçou um objetivo: superar as vendas da Citroen, a construtora líder no mercado francês. E para fazer face ao famoso Citroen 2CV, a Renault lançou aquele que viria a ser o seu primeiro grande sucesso, e por consequência, o primeiro carro de muitos portugueses: o Renault 4L.
Apenas 4 anos após o seu lançamento, em 1964, o Renault 4L já tinha vendido mais de 500 000 exemplares, ultrapassando os números do 2CV, o que garantiu uma almofada financeira muito confortável à Renault para se aventurar noutros segmentos.
Finais do século XX
Durante os anos 70, a Renault investiu parte do seu lucro gerado pelo sucesso do 4L e criou um novo modelo de sucesso: o Renault 5.
Este foi outro modelo extremamente popular em solo europeu, e nem mesmo a grave crise do petróleo (que fez com que várias construtoras quase encerrassem portas) afectou o seu sucesso.
Tal como a história da Renault havia sido pautada, também este modelo competiu em várias provas, destacando-se sobretudo no mundial de ralis.
A marca continuou a crescer durante o final do século XX, lançando permanentemente modelos de grande sucesso, sobretudo em países onde o poder económico não era tão forte.
Em 1996, e mesmo com a oposição do estado francês, a Renault foi privatizada na sua maioria, perspectivando outros planos para o virar do século.
Actualmente, o Estado Francês detém 15,7% da empresa.
Início dos anos 2000 até aos dias de hoje
O verdadeiro sucesso da Renault enquanto uma das maiores construtoras mundiais começou no início dos anos 2000, com o advento do Renault Megane (que foi considerado o carro do ano em 2003) e o Renault Clio, que rapidamente se tornou no carro mais vendido da Europa por vários anos consecutivos.
Também nos anos 2000, mais concretamente em 2004 e 2005, a Renault viu o seu nome ser escrito nas páginas mais douradas do desporto automóvel, conquistando o Mundial de Construtores da Fórmula 1 com o Espanhol Fernando Alonso ao volante, destronando assim o sucesso e o monopólio de vitórias da Ferrari e de Michael Schumacher.
Actualmente, o CEO da Renault é o francês Thierry Bolloré, e a marca lidera os mercados em Portugal, Croácia, Eslovénia, França, Holanda, Argélia e Colombia.
Com uma forte aposta nos SUV, nos Crossover, e na electrificação, a Renault está atenta às tendências da indústria automóvel, e nos próximos anos adivinha-se que a marca francesa continue a liderar, sobretudo, o mercado automóvel em Portugal.
Conheça agora 5 modelos que marcaram a história da Renault, e saiba porque é que foram tão importantes no percurso da marca.
5 modelos mais marcantes da história da Renault
1. Renault Type A
Fonte: Renault/Media
O Renault Type A foi o primeiro carro a ser construído verdadeiramente após a constituição da Renault enquanto marca. Este carro podia transportar dois passageiros e, inicialmente, em 1899, estava equipado com um motor 1cv, que impulsionava este modelo até aos 32 km/h. Em 1904 o Type A passou a estar equipado com um motor de 5 cavalos de potência.
2. Renault 40CV Type NM
Fonte: Renault/Media
O Renault 40CV Type NM era o topo de gama da Renault no final dos anos 20, e era o ex-libris da marca em todas as competições automóveis, nomeadamente nas provas de velocidade pura. Este modelo foi considerado um dos primeiros onde a aerodinâmica era uma preocupação evidente, e graças a um motor de 9 litros, este automóvel foi capaz de percorrer 80km a uma média de 190km/h, algo significativo para a época.
3. Renault 4
Fonte: Renault/Media
O Renault 4 é sem dúvida um dos carros mais importantes da história da Renault, e até mesmo da história automóvel. Era um carro barato, muito versátil, simples e fiável. Foram vendidos no total 8 135 424 exemplares do Renault “quattrele”, como era carinhosamente apelidado em francês.
4. Renault Twingo
Fonte: Renault/Media
O Renault Twingo foi apresentado ao mundo pela primeira vez em 1993, e rapidamente se tornou num modelo de culto em diversos países. Quando foi lançando, este carro apresentava um design inovador e irreverente, sendo bastante económico, compacto e extremamente prático, o que o tornavam ideal para circular nas cidades cada vez mais congestionadas. Com mais de 20 anos de história, a nova versão continua a seguir as pisadas do modelo original, mas, o mais curioso, é que o Twingo original continua ainda a ser vendido em alguns países do mundo!
5. Renault Clio
Fonte: Renault/Media
O Renault Clio, obrigatoriamente, tem que figurar nos anais da história da Renault. Lançado em 1990, este modelo está a entrar agora na sua 5ª geração e conta já com mais de 13 milhões de unidades vendidas em todo o mundo. Veio substituir o 5, mais um dos modelos icónicos da marca francesa, e mostrou ser um automóvel polivalente, robusto e sobretudo, muito económico. Um autêntico case study de sucesso no mundo automobilístico moderno.
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